Panorama latino-americano: Sinais iniciais da linha de frente do risco

Hoje, a pergunta para muitas empresas na América Latina já não é mais o que pode dar errado, mas onde a pressão está se acumulando. O crescimento econômico continua modesto, porém positivo. As decisões de investimento são cautelosas, mas não estão paralisadas. No entanto, a volatilidade climática, as mudanças geopolíticas, a fragilidade da cadeia de suprimentos e as alterações regulatórias continuam a se sobrepor, criando um ambiente de risco no qual a resiliência já não é opcional.
Do ponto de vista da FM, vários padrões começam a se delinear à medida que as empresas se preparam para o ano seguinte. O tempo de recuperação está se tornando uma métrica crítica de risco, muitas vezes mais disruptiva do que a própria perda. Ao mesmo tempo, a resiliência está entrando na esfera da tomada de decisão executiva, remodelando a forma como o risco é considerado dentro das organizações. Especialmente no setor de energia e outras indústrias, a adaptação regulatória está levando as empresas a discussões operacionais mais profundas, enquanto as estratégias de prevenção são cada vez mais fundamentadas na experiência prática, em vez de modelos teóricos.
De acordo com os líderes da FM na América Latina, essas questões exigem atenção imediata.
O tempo de parada torna-se o risco a ser observado
Monica Yasutomi, Vice-Presidente Sênior de Operações, Gerente de Operações para a América Latina
Um dos sinais mais evidentes que a FM tem observado recentemente é uma mudança na forma como as empresas definem exposição.
“Em muitas conversas com clientes, a preocupação já não é apenas a perda em si”, afirma Monica Yasutomi. “É quanto tempo leva para se recuperar.”
Em toda a América Latina, a FM observa que o tempo de recuperação está silenciosamente se tornando um fator central de risco. Eventos de riscos naturais, como enchentes, eventos de vento ou atividade sísmica, continuam ocorrendo, mas frequentemente o fator mais disruptivo é o que vem depois.
Prazos mais longos para substituir equipamentos críticos, cadeias de suprimentos mais restritas e infraestrutura mais especializada fazem com que até mesmo incidentes moderados possam resultar em paradas prolongadas. Para empresas de energia, mineração e manufatura, isso tem implicações que vão muito além dos danos materiais.
Como resultado, uma das tendências que a FM prevê é o foco mais concentrado no planejamento da continuidade operacional. As empresas estão dedicando mais atenção a estratégias de peças sobressalentes, redundância de equipamentos e planejamento de cenários, muitas vezes motivadas por quase acidentes recentes, em vez de grandes perdas.
Do ponto de vista da FM, essas conversas refletem uma percepção mais ampla: a resiliência é cada vez mais medida em termos de tempo, não apenas em valor segurado.
A resiliência operacional torna-se uma necessidade estratégica
David Morales, Vice-Presidente, Consultor Principal de Normas Internacionais – América Latina
Outro sinal que a FM está acompanhando é de natureza organizacional, e não técnica.
“O que estamos observando é que a resiliência já não se restringe ao nível da planta ou da engenharia”, explica David Morales. “Ela está migrando para discussões executivas.”
Com base no trabalho da FM com clientes no México e em toda a região, a prevenção de riscos está começando a influenciar decisões estratégicas, especialmente para empresas com operações internacionais ou planos de expansão. Os gerentes de risco estão ganhando visibilidade, e as discussões sobre prevenção estão se relacionando mais diretamente com o planejamento de investimentos e a estratégia regulatória.
Essa mudança está ocorrendo em paralelo à evolução regulatória. Códigos e normas atualizados em regiões industriais importantes estão gradualmente se ampliando para abordar a proteção de ativos, reforçando a ideia de que a resiliência faz parte da sustentabilidade dos negócios.
O papel da FM nesse contexto tem sido, frequentemente, ajudar os clientes a navegar no espaço entre conformidade e estratégia — traduzindo requisitos técnicos em implicações operacionais e financeiras.
Na visão de Morales, as condições continuam favorecendo empresas que tratam a prevenção como uma abordagem de negócios de longo prazo, e não como uma obrigação de curto prazo.
O momento de ajustes no Brasil sinaliza os próximos desdobramentos
Daniel Mazzi, Vice-Presidente, Gerente de Serviços ao Cliente – América do Sul
No Brasil, a visão da FM é moldada menos por disrupção e mais por adaptação.
Espera-se que o crescimento econômico permaneça moderado, e o mercado de seguros continue se expandindo de forma constante. A implementação de uma nova lei de seguros, no entanto, já está levando empresas a revisitar a forma como estruturam relações de seguros e a governança interna de riscos.
“O que estamos vendo agora é uma fase de aprendizado”, afirma Daniel Mazzi. “As empresas estão ajustando processos, expectativas e, em alguns casos, as estruturas das apólices.”
Com base na atuação da FM com clientes brasileiros, um tema emergente é a importância da clareza operacional. À medida que as organizações se adaptam a novas condições regulatórias, questões relacionadas à responsabilidade pelo risco, responsabilidades de recuperação e resiliência da cadeia de suprimentos estão se tornando mais evidentes.
A FM espera que as empresas na região foquem no fortalecimento dos pilares operacionais, em vez de buscar uma expansão agressiva. Em ambientes competitivos, esse reequilíbrio pode, em última análise, melhorar a resiliência e o desempenho de longo prazo.
Olhando para o futuro
Em conjunto, essas perspectivas sugerem que este período será menos sobre choques repentinos e mais sobre como as empresas respondem à pressão acumulada.
Para a FM, a perspectiva é moldada pelo que as equipes já estão observando em campo: como os clientes estão reavaliando o risco, onde as questões estão se tornando mais urgentes e quais vulnerabilidades estão subindo para o topo da agenda.
As empresas que enfrentarem os desafios modernos de forma mais eficaz podem não ser aquelas que antecipam todas as disrupções, mas sim aquelas que reconhecem sinais iniciais e agem antes que esses sinais se transformem em perdas.